Agenda do Porto

Blog (não institucional) de divulgação cultural. Agenda cultural do Porto

17-12-2009

Terra na Boca continua a apresentar: FICAP - extensão do Festival Cinema no Contagiarte

A Associação Terra na Boca/Festival TRANSdisse 2009 em parceria com o Contagiarte apresenta:

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Festival Internacional de Cinema de Artes Performativas - Extensão da 1ª edição do FICAP decorrida em 2008, em Lisboa. Com uma selecção de filmes de Frederico corado.

Dezembro: Sessão 3 – dia 18, 22h30

- “The Greater the Weight”, de Philip Szporer e Marlene Milar, 5m (Canadá)

Uma jovem rapariga (Dana Michel) está numa dança rebelde, por vezes exprimindo uma espécie de esquizofrenia. Para ela a única maneira de devidamente articular todos os seus constantes sentimentos internos e questões é a dançando. Para esta mulher significa lançar o seu corpo para trás e para a frente. A textura da dança é abrasiva, até nua. É uma violência que pode excitar. Somos lembrados neste filme dança que a dura fiscalidade pode ser bonita… e bastante diferente da maneira pela qual a violência é tipicamente definida.

 

- “Generation 68”, Simon Brook, 53m (França)

No fim dos anos 60 uma revolução cultural teve lugar, culminando na Europa com as revoltas estudantis de 68. Foi uma revolução que mudou as artes e a cultura num sentido mais amplo, assim como as mentalidades das pessoas. A música tornou-se militante e sexualmente explícita. O Teatro tornou-se político e experimental, a pop art deixou as pessoas de boca aberta, e a Mary Quant inventou a mini saia… Enquanto o Vietname continuava…

As imagens de arquivo são comentadas por uma seleção eclética de artistas do mundo cultural, incluindo o realizador Milos Forman, DJ Annie Nightingale, o presidente Vaclav Havel, o artista Ed Ruscha, o fotógrafo William Klein, o actor Dennis Hopper, encenador Peter Brook, a designer Mary Quant…

Geração 68 é como uma viagem no tempo que traz de volta à vida este incrível período.

 

Sessão 4 – dia 23, às 22h30

- “La Danse De L’Enchanteresse”, de Adoor Gopalakrishnan e Brigitte Chatagnier, 75m (França)

Este filme trata de uma prática cuja verdadeira essência é o charme, uma prática reservada exclusivamente a mulheres, usando argumentos de mulheres. É uma dança chamada Mohini Attam, literalmente “A Dança da Feiticeira”, que tem vindo a ser praticada durante séculos no Sudoeste da Índia, na Região do Kerala.

 

Janeiro 2010: Sessão 5 – dia 9, às 22h30

- “Aprop”, de Aitor Echeverria, 6m (Espanha)

O sono é interrompido pelo toque de um outro corpo familiar. Um dedo desliza pelas costas enquanto um suspiro sugere um convite. Quando visto de perto, os movimentos diários do corpo são uma dança extraordinária. 

 

- “Between Heaven And Earth”, de Frank van den Engel e Masja Novikova, 72m (Holanda)

O circo era o único entretenimento na viajem da antiga Rota da Seda da Europa para a China. No Uzbekistão, actualmente uma ditadura, o circo está tão vivo como estava nos dias de Genghis Khan. Os números de circo também mudaram pouco. Dois artistas de circo são forçados a escolherem entre continuarem a velha tradição circense ou a politica. As suas escolhas diferentes vão afectas seriamente a sua amizade de vários anos.

 

Sessão 6 – dia 16, às 22h30

- “So You Can Dance”, de Nikos Dayandas e Stelios Apostelopoulos, 27m (Grécia)

O performer e coreografo italiano Luca Silvestrini vai até Atenas para criar o primeiro projecto coreográfico de dança comunitária da Grécia. Seguimos Luca enquanto visita infantários, escolas e lares de terceira idade para recrutar e aprovar os seus bailarinos.

Mas apenas uns dias antes do espectáculo, a situação entra em espiral para fora de controlo com as crianças a brincar, os mais idosos a esquecerem-se dos seus passos e os de meia-idade a começarem a entrar em lutas. Luca está à beira de um ataque de nervos.

 

- “Lüber In Der Luft”, de Anna-Lydia Florin, 81m (Suíça)

No seu trabalho, o artista de performance Heinrich Lüber convida-nos a integrar a poesia no nosso dia-a-dia. “Lüber nas alturas” é uma viagem ao mundo do artista de performance Heinrich Lüber, no qual questiona o mundano e transforma os sonhos em realidade.

 

Sessão 7 – dia 23, às 22h30

- “Buritizal”, de Alexandre Braga, 39m (Portugal)

Quando eu era guri, eu era caçador de formigas…

Assim começa minha história. Em seguida, de um salto a outro, passamos de minha infância a meu fatídico encontro com Miguelão.

Eu e Miguelão não tínhamos muitas coisas em comum. Um tinha um pouco e outro demais… Um era jovem e outro nem tanto. Um plantava e outro colhia. Um amava a filha do outro… enquanto o outro rugia.

Como se vê, muitas vezes, pouca coisa em comum é o suficiente para que o destino de um homem cruze com o de outro. Foi o que aconteceu, foi o que chocalhou o curso da história de Buritizal e seus habitantes.

Mas para saber que destino foi esse é preciso chegar mais perto, sem medo, e deixar que o actor lhe conte tudo como se fosse um segredo.

 

- “Battuta”, de Bartabas, 66m (França)

Cavaleiros-artistas são literalmente transportados pelos dois grupos de músicos romenos, uma fanfarra de metais da Moldávia e um conjunto de cordas da Transilvânia. Um pulsar interior, um movimento em círculo ou em voo, que hipnotiza até à vertigem. A leveza rápida do galope e o movimento permanente da água, que simboliza a vida entre os Ciganos, dão o tom do espectáculo.

Alegre ou inquietante, Battuta vive tanto da destreza tanto como da velocidade, fala-nos do tempo e da memória, e retoma a veia popular e o sentido festivo do espectáculo que animaram os inícios da trupe. Como um sopro a aforar a superfície das brasas, como a incandescência de um feito glorioso.

 

Sessão 8 (última) – dia 30, às 22h30

- “Informe”, de Eva Angelo, 23 m (Portugal)

A partir da visita a diferentes fases da produção da performance “Inventário” de Jocélio Azevedo, “Informe” é um olhar a esta criação, dando espaço à sustentavidade da realizadora enquanto observadora para construir um percurso paralelo.

 

- “Jardim de Inverno”, de Rui Simões, 35 m (Portugal)

Um solo de Olga Roriz.

Estreia em Rennes, França, 5/12/1989.

“No jardim da casa do mar. Ela espera.

Avança e logo pára. Ela não pára nunca.

Ela embate contra os muros metálicos do jardim.

Ela quer ficar só até que o tempo passe. Ela recua até o princípio do caminho e depois recomeça.

Avança na direcção da casa. Ela escuta.

Ela deixa-se estar na escuta dos passos sobre o mar.

Ela não olha as duas mulheres que se tocam. Ele inventa.

As mulheres olham-na, esperam. Elas vêem os jogos que ela se faz inventar para não parar de olhar.

Ela foge e depois pára. Ela deixa-se ver.

O cheiro da chuva mistura-se com o cheiro do mar. Ela recomeça.”

Olga Roriz – Março 1990

 

- “Solistas”, de Filipe Martins, 8m (Portugal)

A relação individual-colectivo é o principal motor em “Solistas” para explorar espaços de sensação como o da diferença, solidão, evidência, independência, isolamento… Neste âmbito o espectáculo oferece-se de uma forma mais plástica e não tanto na narração de situações ou de questões concretas interpessoais. Mas o potencial narrativo está lá. Muito se pode contar quando se vê um corpo em movimento. A dança em particular permite-nos perceber um indivíduo que aparece mais ou desaparece mais à medida do seu movimento e do seu número. Em grupo ou em solo estamos sempre solistas. Ocorre-me que solista pode ser o elogio ou a celebração do singular ou do particular. Entre algo mais nietzchiano- danço os meus próprios gestos-, e algo mais construtivista- os teus gestos são material-ideia para os meus gestos-, os solistas vão- se descobrindo e afirmando.

Assim, a dança faz o laço ideal entre o solista por função e o solista por inevitabilidade. 

Né Barros

 

FICAP é uma organização da Entrar em Palco – Associação Cultural com a colaboração do Museu Nacional do Teatro


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09-12-2009

Comunicado

A Direcção do Clube Português de Cinematografia / Cineclube do Porto, assumindo o seu reconhecido estatuto de Entidade de Interesse Público, e reconhecendo ter atravessado uma fase onde foi difícil manter o contacto com os seus associados, emite este comunicado no sentido de esclarecer sucintamente algumas questões relativas à Associação:

 

1. Existe, no Clube Português de Cinematografia / Cineclube do Porto, uma Direcção legítima e ainda no pleno exercício das suas funções que assume as suas responsabilidades e está disponível para encontrar junto dos seus associados as soluções que melhor sirvam os interesses do Cineclube;

 

2. A Direcção continua a reunir regularmente mantendo uma monitorização rigorosa e uma procura activa de soluções para regularizar o déficit humano e financeiro da Associação;

 

3. Está em curso a preparação da marcação de Assembleias Geral e Eleitoral a realizar nos termos estatutários;

 

4. Foi encontrada uma solução que permite assegurar o funcionamento da secretaria em horário devidamente publicitado;

 

5. A Direcção manifesta agrado com o aparecimento da Petição em seguimento ao Manifesto pelo Cineclube do Porto, na medida em que a quantidade de assinaturas reunidas representa a existência de um grupo alargado de pessoas efectivamente interessadas na actividade do Clube Português de Cinematografia / Cineclube do Porto. Na sequência desta manifestação de interesse, a Direcção gostaria de ver esse apoio traduzir-se na única forma consequente de impulsionar a actividade do Cineclube do Porto, nomeadamente através da inscrição e participação activa de novos sócios;

 

6. Apesar da interrupção da actividade, em Abril de 2009, por clara falta de recursos humanos e financeiros, a Direcção assegura à Comunidade e aos Associados que todo o espólio se encontra guardado e conservado em boas condições na sede da Associação.

 

 

 Brígida Velhote  

 Presidente da Direcção 

Armando Pinheiro

Presidente da Mesa da Assembleia-Geral


http:/www.cineclubedoporto.canalblog.com

 

 

 


Clube Português de Cinematografia | Cineclube do Porto

e-mail:cineclubedoporto@gmail.com

http:/www.cineclubedoporto.canalblog.com/

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27-11-2009

Richard Zimler no CLP, domingo, dia 29, às 17h00

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O Espelho Lento

Curta-metragem baseada num conto de Richard Zimler

No próximo domingo, dia 29 de Novembro, às 17h00, o Clube Literário do Porto e o escritor Richard Zimler convidam-no (a) a assistir à projecção de «Espelho Lento», uma curta-metragem de 22 minutos, baseada num conto do autor.

No final, Richard Zimler falará sobre o filme e a ligação dele com o seu novo romance, OS ANAGRAMAS DE VARSÓVIA. Neste contexto, falará sobre a ligação dos temas do filme com a nossa compreensão da História e do passado.

OBJECTIVO: Estabelecer um diálogo com a audiência sobre o filme e sobre os romances do autor.

Clube Literário do Porto
Rua Nova da Alfândega, n.º 22
4050-430 Porto
T. 222 089 228
Fax. 222 089 230
Email: clubeliterario@fla.pt
URL:

 

www.clubeliterariodoporto.co.pt

 


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18-11-2009

HOJE ÀS 19h30 NO MNAC - MUSEU DO CHIADO SESSÃO ESPECIAL DO CICLO O MURO DE BERLIM - ESPELHO DA HISTÓRIA DA ALEMANHA

Cinema Arte

O Muro de Berlim – Espelho da História da Alemanha

Um programa de filmes e vídeos de Ellen Blumenstein

Organização Goethe Institut 

10 – 29 Nov 2009, terças a domingos 10h00 – 18h00

Sala Polivalente, Piso 0 Entrada Livre

SESSÃO ESPECIAL

18 Nov 19h30

KP Brehmer – Walkings I-VI (1969/70), 15’, p/b, inglês

Partindo do exemplo concreto do Muro de Berlim, o filme experimental investiga, em seis sequências, a relação entre espaço e tempo e a que se estabelece entre um local e a identidade. As sequências coincidem com experiências que Brehmer realiza com a sua câmara. Por exemplo, o seu amigo Stanley Brown tinha-lhe pedido, após um passeio que ambos fizeram numa visita à cidade, que voltasse a filmar o passeio que haviam dado ao longo do Muro. Para um outro Walk, o realizador tenta conjugar o factor tempo com a distância percorrida, ao caminhar em direcção ao Muro.

Cynthia Beatt: The Invisible Frame (2009), 60’, inglês/alemão, legendado em português

Em 1988 Cynthia Beatt e Tilda Swinton fizeram uma viagem de bicicleta e seguiram o curso do Muro de Berlim. Foi assim que surgiu a curta-metragem Cycling the Frame, que se tornou um invulgar documento histórico (este filme de 1988 é apresentado no âmbito do ciclo de cinema no Goethe-Institut – ver em cima). Agora, a realizadora e a actriz aproveitaram a oportunidade para repetir a viagem e rever a linha que o Muro cortou através do tecido urbano da cidade: The Invisible Frame.

Marcel Broodthaers: Berlin oder ein Traum mit Sahne (1974), 10’, sem som

Durante os seus tempos de bolseiro do DAAD em Berlim, Marcel Broodthaers dedicou-se a filmar o quotidiano na parte ocidental da cidade. Sequências das ruas do bairro de Charlottenburg alternam com imagens do próprio Broodthaers – a fumar, a ler com os óculos besuntados de natas. Este filme é simultaneamente um auto-retrato e uma homenagem do artista à cidade que o acolheu.


MNAC-Museu do Chiado

Rua Serpa Pinto, nº 4

1200-444 Lisboa

t.+ 351 21 3432148 f.+351 21 3432151

www.mnac-museudochiado.imc-ip.pt

 


 

17-11-2009

Cinéphiles, Etc. | Filmes Franceses à venda no Porto

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Cinéphiles, Etc. é um espaço de troca e venda de filmes de colecção particular, não institucionalizado, nem empresarial, destinado a promover o intercâmbio de filmes do mundo, junto de outros cinéfilos. Os filmes, de importação, NÃO são legendados em português. Os interessados poderão contactar o blogger por email, a partir do qual serão estabelecidos os termos de aquisição dos artigos disponíveis. Portes de envio incluídos.

/

Cinéphiles, Etc. c’est un lieu de vente de DVD’s de ma collection, composée essentiellement de films français. Contactez-moi, si vous êtes intéressés, pour connaître les conditions d’achat et d’envoi. Frais de livraison inclus.

Le Cinéphile

Também encontra os dvd's aqui: le cinéphile

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10-11-2009

CONVITE - APRESENTAÇÃO AOS PROTAGONISTAS - PARE, ESCUTE, OLHE, DE JORGE PELICANO - 14 NOV | 17 h e 21h30 | MIRANDELA

CINE H2O | MIRANDELA | 14 NOV

17H e 21H30 | CENTRO CULTURAL DE MIRANDELA

[No final da sessão debate com o realizador Jorge Pelicano]

 

Depois da participação no DOCLISBOA e no CINE ECO, em Seia, PARE, ESCUTE, OLHE, vai ser apresentado aos protagonistas do filme que, pela primeira vez, vão ver as suas estórias reflectidas numa tela.

 

Fernanda vive numa estação abandonada.

Berta, utilizadora frequente do comboio, necessita do transporte para ir ao médico ou simplesmente comprar um litro de leite.

Pedro Couteiro, activista, um acérrimo defensor dos rios.

Jorge Laiginhas, escritor transmontano, conduz-nos às entranhas e beleza do vale.

Abílio Ovilheiro, ex-ferroviário, vive numa estação activa, autêntico sabedor de notícias da região.

 

 

Através do seu quotidiano, do acompanhamento das suas estórias de vida ao longo de dois anos e meio - PARE, ESCUTE, OLHE - é um documentário interventivo, que assume o ângulo do povo para traçar um retrato profundo de Trás-os-Montes.

CINE H2O - Mirandela, 13, 14 e 15 de Novembro de 2009

O Festival Ibérico de Imagens sobre os Temas da Água (Cine H2O) tem como objectivos a divulgação das obras cinematográficas e televisivas relacionadas com os rios e os recursos hídricos em geral, incluído os relativos à água de beber e a educação ambiental.

 

 

::Prémios::

Melhor Documentário Português, DOCLISBOA 09

Melhor Montagem, DOCLISBOA 09

Prémio IPJ Escolas, DOCLISBOA 09

Grande Prémio do Ambiente, CINE ECO 09, Seia

Grande Prémio da Lusofonia, CINE ECO 09, Seia

Prémio Especial da Juventude, CINE ECO 09, Seia


MCLT - Movimento Cívico pela Linha do Tua
http://www.linhadotua.net

 

09-11-2009

Ciclo Cinema Arte - O Muro de Berlim - Espelho da História da Alemanha

Amanhã, dia 10 de Novembro, às 10h00 inaugura no MNAC - Museu do Chiado o
Ciclo Cinema Arte - O Muro de Berlim - Espelho da História da Alemanha,
comissariado por Ellen Blumenstein.

Este ciclo integra-se nas Celebrações dos 20 anos da Queda do Muro organizado pelo Goethe Institut de Lisboa.

Cinema Arte
O Muro de Berlim - Espelho da História da Alemanha

Um programa de filmes e vídeos de Ellen Blumenstein

10 - 29 Nov 2009, terças a domingos 10h00 - 18h00
Sala Polivalente, Piso 0 Entrada Livre

Museu Nacional de Arte Contemporânea -  Museu do Chiado
Rua Serpa Pinto, 4
1200-444 Lisboa
Tel. + 351 213 432 148
Fax + 351 213 432 151
E-mail: mnac-museudochiado@imc-ip.pt
Website: www.mnac-museudochiado.imc-ip.pt

 



"Berlim é o símbolo da divisão do mundo, um ponto universal, o sítio onde a
reflexão sobre a unidade, simultaneamente necessária e impossível, se
concretiza em cada um dos seus habitantes. É aí que se faz não só a
experiência de ter um domicílio, mas igualmente a da sua falta."
Maurice Blanchot, Der Name Berlin (O Nome Berlim), em: Ecrits politiques,
1983

O Muro de Berlim, simultaneamente realidade física e símbolo dramático da
separação da Alemanha e da própria guerra fria, manteve-se, durante toda a
sua existência, constantemente presente e iniludível, tanto para os
habitantes da cidade como para os seus descendentes e visitantes. Apesar da
sua inexistência, o Muro permanece ainda como uma realidade fisicamente
quase palpável, que na análise retrospectiva adquiriu uma nova carga
simbólica, desta vez tanto para as transformações globais, políticas e
sociais, como para a própria mudança cultural que se deu ao longo das
últimas duas décadas. Artistas e realizadores de cinema, que pelas mais
variadas razões escolheram a cidade para nela viverem e trabalhar, têm
repetidamente tematizado a sua relação com Berlim, aproveitando-a, não raras
vezes, para através dela articularem reivindicações políticas e sociais mais
abrangentes. Mesmo quanto não constitui o principal cenário, o Muro tem
constituído sempre um requisito ou uma condição essencial para a acção
fílmica.

Este ciclo reúne produções de artistas e realizadores que ao longo de 4
décadas se confrontaram com esta realidade. Perspectivas diversas sobre a
cidade e a forte conotação simbólica da sua "imagem de marca" confrontam-se,
definindo a imagem por vezes imediata e subjectiva, por vezes impessoal ou
supra-pessoal de um mundo em constante transformação. Nas produções quase
exclusivamente realizadas a partir de uma perspectiva ocidental, o Muro foi,
até ao início dos anos 80, apresentado de uma forma isolada ou simplesmente
omitido, para que o sentimento de vida especial e característico de Berlim
ocidental pudesse ser realçado. Em Berlim Oriental quase que não existem
gravações do Muro ou do quotidiano durante esse período, já que fotografar e
filmar pressupunha na RDA provas dadas de fidelidade ideológica para com o
regime.

No final da década de 80, inicia-se uma abordagem cada vez mais
contextualizada, que não só começa a tematizar o leste, o ocidente e o Muro
nas suas múltiplas e recíprocas relações, como também, partindo daquela
situação concreta, questiona aspectos que o transcendem, como as relações
entre o socialismo e o capitalismo, os perdedores e os ganhadores da
transformação histórica ou as estruturas do poder e da dominância masculina.
Como é óbvio, os filmes mais actuais debruçam-se sobre os "sítios vazios",
originados pelo desaparecimento do Muro, e sobre as consequências que esse
mesmo desaparecimento tem tido, tanto ao nível da cidade como dos seus
habitantes.

Ellen Blumenstein
[PROJECÇÕES EM MONITOR TV]
10 a 29 Nov

Die tödliche Doris: Naturkatastrophenballett (1983) e
Naturkatastrophenkonzert (1983), 1' 30'' e 6', alemão
Os videoclips Naturkatastrophenballett e Naturkatastrophenkonzert da banda
Die Tödliche Doris, fundada em 1980 em Berlim por três estudantes de arte,
podem ser entendidos como um projecto de arte vídeo; no Postdamer Platz,
muito próximo do Muro, ou seja, na zona central de Berlim, a banda coloca em
cena o centro esvaziado da cidade, apontando o dedo para a contínua negação
do "outro lado", praticada por ambas as partes.

Ramona Köppel-Welsh: Konrad! Sprach die Frau Mama (1989), 9' 26'' p/b, s/som
Esta colagem fílmica é um dos poucos documentos (ilegais) que nos mostram
imagens provenientes do lado oriental do Muro. A realizadora consegue reunir
e montar em breves sequências encenadas, antigas cenas filmadas por amadores
e imagens secretamente captadas da fronteira entre as duas Alemanhas. Surge,
assim, um poema filmado de uma densidade claustrofóbica, sobre a vida
emparedada no leste da Alemanha.

Hito Steyerl: Die leere Mitte / The Empty Center (1998), '62', alemão,
legendado em inglês
Ao longo de oito anos Hito Steyerl observa as transformações arquitectónicas
e políticas ocorridas no Postdamer Platz. Durante décadas a grande praça
central tinha permanecido abandonada, até que o centro do poder político
voltou a instalar-se em Berlin Mitte. Simultaneamente, há pessoas que são
empurradas para a periferia da cidade. A história da Praça torna claro que
desde sempre foi necessária uma demarcação contra emigrantes e minorias,
para que um poderoso centro da Nação pudesse ser edificado. O filme,
contudo, esforça-se por dar voz e história àqueles que continuam excluídos
desse centro.

Judith Hopf/Katrin Pesch: The Uninvited (2005), 16', alemão, legendado em
inglês
The Uninvited é um retrato quase documental de um dia de uma jovem família,
que passeia pela "Neue Mitte" ("Novo Centro") de Berlim. As realizadoras
focam os efeitos que as transformações do antigo bairro dos celeiros -
situado no centro geográfico da cidade e cenário da subcultura e da cena
artística - têm sobre os seus habitantes.

Lars Laumann: Berlinmuren (2009), 24', inglês
O filme debruça-se sobre uma relação particularmente invulgar: a história de
amor entre o muro de Berlim de Elja-Riita e o verdadeiro Muro de Berlim. A
abordagem não é em primeira linha documental, já que o realizador se deixa
conduzir por um interesse genuíno, que sabe respeitar os aspectos
específicos dos fenómenos sociais marginalizados. O realizador não se ocupa
apenas com as estranhas deformações da cultura popular contemporânea, mas
também com a sua génese e com os condicionalismos existentes na sociedade
que as motivaram.

Sven Johne: The Tears of the Eyewitness (2009), 22', inglês, legendado em
alemão
O filme concentra-se na construção das recordações: para um documentário
televisivo americano sobre a Queda do Muro, pretende-se produzir material
com a necessária consistência emocional. Antes do início das verdadeiras
filmagens, um treinador motivacional trabalha com o actor, sensibilizando-o
para o seu desempenho ao focar certos acontecimentos ocorridos em Leipzig
que conduziram ao colapso da RDA e à queda do Muro. Todas essas ocorrências
são recapituladas recorrendo a uma forma narrativa.

[PROJECÇÕES EM ÉCRÃ]

10 a 15 Nov
Shinkichi Tarjiri: Berlin Wall (1969/70), 20' 35", p/b, s/som
Nos finais dos anos 60, Shinkichi Tarjiri, um artista de origem japonesa,
nascido nos EUA e posteriormente residente em Paris e na Holanda, veio para
Berlim com uma bolsa do DAAD. Influenciado por uma forte ligação aos antigos
membros do grupo de artistas CoBrA (Constant, Asger Jorn, Karel Appel, entre
outros), Tarjiri debruçou-se, durante esses anos, sobre a relação entre a
expressividade e a emocionalidade, o racional e o irracional e
subconsciente, bem como sobre a influência que o espaço público exerce sobre
o indivíduo e a sua produção artística. Realizado poucos anos após a
construção do Muro, o filme documenta a sua tentativa de reflectir sobre os
efeitos dessa dramática intervenção arquitectónica e construtiva.

17 a 22 Nov
Thomas Arslan: Am Rand (1991), 24 min'
No seu trabalho final para a dffb, a escola superior de cinema de Berlim, o
realizador de origem alemã e turca Thomas Arslan desloca-se ao longo da
faixa do Muro, entretecendo imagens e sítios actuais com as suas recordações
do tempo em que o Muro ainda lá estava. A narrativa de Arslan não se
alimenta das necessidades de construção causal de um plot, mas antes de um
insistir na observação, da dinâmica própria dos espaços e dos movimentos que
neles se manifestam.

24 a 29 Nov
Gerd Conradt: Ein_Blick (1986), 11', só música
Gerd Conradt monta a sua câmara junto de uma janela num prédio em Berlim
Ocidental e aponta-a para um outro prédio na parte oriental da cidade. Entre
os dois edifícios encontra-se o Muro. Ao longo de 12 horas, a câmara captou
uma imagem por segundo, documentando assim as diferenças entre as duas
realidades quotidianas.

SESSÃO ESPECIAL
18 Nov 19h30

KP Brehmer - Walkings I-VI (1969/70), 15', p/b, inglês
Partindo do exemplo concreto do Muro de Berlim, o filme experimental
investiga, em seis sequências, a relação entre espaço e tempo e a que se
estabelece entre um local e a identidade. As sequências coincidem com
experiências que Brehmer realiza com a sua câmara. Por exemplo, o seu amigo
Stanley Brown tinha-lhe pedido, após um passeio que ambos fizeram numa
visita à cidade, que voltasse a filmar o passeio que haviam dado ao longo do
Muro. Para um outro Walk, o realizador tenta conjugar o factor tempo com a
distância percorrida, ao caminhar em direcção ao Muro.

Cynthia Beatt: The Invisible Frame (2009), 60', inglês/alemão, legendado em
português
Em 1988 Cynthia Beatt e Tilda Swinton fizeram uma viagem de bicicleta e
seguiram o curso do Muro de Berlim. Foi assim que surgiu a curta-metragem
Cycling the Frame, que se tornou um invulgar documento histórico (este filme
de 1988 é apresentado no âmbito do ciclo de cinema no Goethe-Institut - ver
em cima). Agora, a realizadora e a actriz aproveitaram a oportunidade para
repetir a viagem e rever a linha que o Muro cortou através do tecido urbano
da cidade: The Invisible Frame.

Marcel Broodthaers: Berlin oder ein Traum mit Sahne (1974), 10', sem som
Durante os seus tempos de bolseiro do DAAD em Berlim, Marcel Broodthaers
dedicou-se a filmar o quotidiano na parte ocidental da cidade. Sequências
das ruas do bairro de Charlottenburg alternam com imagens do próprio
Broodthaers - a fumar, a ler com os óculos besuntados de natas. Este filme é
simultaneamente um auto-retrato e uma homenagem do artista à cidade que o
acolheu.

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06-11-2009

Dominique Villepin no Estoril Film Festival

DOMINIQUE VILLEPIN NO ESTORIL FILM FESTIVAL

DOMINGO 8 de NOVEMBRO

 

ANDRÉ MALRAUX - A INVENÇÃO DA POLÍTICA CULTURAL
O SEU CONTRIBUTO E A SUA HERANÇA


 

14:00 -  "L'ESPOIR" – um filme de André Malraux

CENTRO DE CONGRESSOS DO ESTORIL


15:30 - Intervenção de DOMINIQUE DE VILLEPIN
SEGUIDA DE DEBATE


«Durante anos, julgou-se, no mundo inteiro, que o problema da cultura era um problema de gestão do lazer. É tempo de compreender que estes dois elementos são profundamente distintos e que um é apenas o meio do outro. É certo que um automóvel é sempre um automóvel, Mas quando este nos leva aonde queremos ir é bem diferente de quando nos atira para um precipício. Não haveria cultura se não existissem os lazeres. Mas não é o lazer que faz a cultura: os lazeres são os meios da cultura.»


Excerto do discurso proferido por André Malraux na Assembleia Nacional Francesa, a 9 de Novembro de 1963

Integrado na Programação do Estoril Film Festival de 2009, terá lugar, no Domingo, 8 de Novembro, às 14h30, uma Intervenção de Dominique de Villepin sobre as tendências contemporâneas da política cultural mundial,seguida de debate.

Faz 50 anos que André Malraux, sob a presidência do General Charles de Gaulle, deu corpo ao primeiro ministério dos Assuntos Culturais francês. Uma estreia absoluta no panorama político e governamental internacional que se inscreve na já longa tendência francesa da condução dos ditames culturais de um país e de um povo por um estado monárquico, laico ou republicano. Já longa, porque remonta ao reinado de François Ier, no século XVI, a primeira grande iniciativa de mecenato oficial, ao atrair para terras gaulesas, a arte e o engenho do génio de Leonardo da Vinci. Homem de literatura, apreciador das artes, verdadeiro globe-trotter, autor eclético e incontestado, reconhecido homem diplomático, Malraux foi uma das maiores figuras francesas do século XX, bem como um visionário político que, apesar de se manter junto do poder durante várias décadas, soube nunca se render às comodidades do poder estabelecido.


A propósito da «Excepção Cultural» francesa que, nos anos 1990, se assumiu como um derradeiro grito de insubmissão ao poder dominante da cultura anglo-saxónica, sobretudo aquela oriunda dos Estados Unidos e das grandes indústrias musicais e cinematográficas, será organizada uma comunicação aberta e que convida ao debate e à reflexão crítica sobre a actual conjuntura cultural em Portugal, na Europa e no mundo.
Dominique de Villepin, inconformado, gaulista, irredutível nas suas ideias de pluralidade cultural, é um escritor, um pensador, um homem de acção e uma reconhecida figura pública na cena política, diplomática e cultural francesa e mundial. O antigo primeiro ministro de Jacques Chirac, teve a pasta da cultura tendo sido ainda o dono do ministério dos Negócios Estrangeiros durante a conturbada investida anglo-americana (e ibérica) contra o Iraque, perante o silêncio conformado da maioria dos estados ocidentais. Dominique de Villepin, tal como se defendera cultural e filosoficamente contra um poder dominante no mundo, disse não à invasão do Iraque, atirando uma pedra no charco do pensamento dominante. Disse não, à invasão dos mercados internacionais pelas majors de Hollywood e da maiores editoras discográficas dos Estados Unidos, e disse não à recente e polémica lei Hadopi que prevê a suspensão do acesso à Internet aos utilizadores que recorram livremente a downloads não pagos às redes de distribuição oficiais mundiais.


É, pois, de cinema, de cultura, de arte e de política que se vai falar, no que toca a liberdade de criação artística mas também, e sobretudo, quanto à liberdade de escolha, de uma escolha verdadeiramente plural por parte de todos os públicos. A projecção do filme de André Malraux, L’Espoir, é mais do que um pretexto para estar presente nesta sessão seguida de debate cultural. Trata-se de uma produção sobre a guerra civil espanhola, história de acção sem contornos turvos, abordado pelo lado do campo republicano, onde o próprio André Malraux alinhou, como tantos outros intelectuais e artistas seus contemporâneos, marcando corpo presente na esquadra aérea de resistência.
 

Toda a informação em
www.estoril-filmfestival.com

 

<http://www.estoril-filmfestival.com/>

 

02-11-2009

Estreia nos cinemas RUAS DA AMARGURA

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RUAS DA AMARGURA, de Rui Simões

ESTREIA DIA 5 DE NOVEMBRO

Cinema City Classic Alvalade, e Zon Lusomundo Cinemas nas Amoreiras.

Almada Fórum, Dolce Vita Coimbra e Dolce Vita Porto

Inserido na campanha de divulgação do

Ano Europeu de Combate à Pobreza e Exclusão Social 2010

“....Ruas da Amargura, visão de uma miséria humana de que tanto se pode dizer que está “escondida” como que nos cruzamos com ela todos os dias. Histórias lisboetas de indigência e infortúnio, sem-abrigo, toxicodependentes, alcoólicos, marginalizados de vários tipos, etc. ...uma parte de Ruas da Amargura sugere uma espécie de “ruína” dos anos 70, um dark side de efeito desfasado no tempo – como a história do homem que saiu de casa adolescente e usava o cabelo “à Led Zeppelin”. Não são” histórias de sucesso”, bem pelo contrario, mas a queda no miserabilismo é sacudida pela resistência (física e mental) dos desafortunados protagonistas, e nalguns casos mesmo por uma inesperada nonchalance, como se o autêntico niilismo punk se pudesse encontrar por aí, nos bancos dos jardins lisboetas.”

Luís Miguel Oliveira – Público

“O tema até pode ser batido, mas Rui Simões teve o engenho de o abordar numa perspectiva original e cativante. Ruas da Amargura debruça-se sobre um submundo da cidade de Lisboa, aquele povoado por marginais, de prostitutas e drogados a simples mendigos. Mas sobretudo interessa-lhes aqueles que dedicam a vida a tornar estas vidas um pouco melhores. Alguns francamente idealistas, outros sem grandes esperanças. Por vezes, corre o risco de quebrar as fronteiras da privacidade. Mas regra geral mantém-se sóbrio na descoberta de personagens fascinantes.”

“Rui Simões é autor de duas obras emblemáticas do pós-25 de Abril, de um cinema Militante. Deus Pátria Autoridade, numa severa critica ao regime salazarista, e Bom Povo Português, um documentário sobre a revolução de 1974. Desde aí, Rui Simões tem mantido uma presença discreta, realizando inúmeros vídeos dedicados a várias artes, destacando-se um longo trabalho com a coreógrafa Olga Roriz. Com Ruas da Amargura, Rui Simões regressa em grande, com um olhar muito próprio sobre as franjas esquecidas da sociedade, apelando de forma convicta mas subentendida a um mundo mais justo, numa busca de personagens, nas ruas de Lisboa, da Praça da Alegria ao Jardim Constantino. Ruas da Amargura é um dos favoritos ao prémio nacional do DocLisboa. E o seu realizador tem a justa ambição que o seu filme tenha exibição comercial. Entretanto, volta-se de novo para as margens da sociedade: A Ilha da Cova da Moura, o seu novo documentário já está em fase de montagem.”

Manuel Halpern – Jornal de Letras

Documentário 108’/ Realização de Rui Simões/ Produção Real Ficção 2008/ Distribuição Real Ficção

Financiamento ICAM, RTP e Fundação Calouste Gulbenkian

Selecção oficial nos festivais DocLisboa 2008, 32ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo 2008 (Brasil), 37º Festival de Cinema de Gramado 2009 (Brasil)

Para mais informações consultar www.realficcao.com 

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30-10-2009

CINEMA AO SUL - Fundação INATEL - Avis

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